
Recentemente me deparei com um texto intrigante de um programador que, ao ver “Primum non nocere” (Primeiro, não causar dano) escrito em uma varanda, decidiu criar um motto próprio para programadores: “Tuere usorem, data, veritatem” - Proteger o usuário, os dados, a verdade.
Essa reflexão me fez pensar sobre minha trajetória transitando entre dois mundos: o da advocacia e o da programação. Em ambos, os mottos não são apenas frases decorativas em latim - são princípios que orientam decisões práticas no dia a dia.
Na minha carreira jurídica, sempre carreguei comigo alguns princípios fundamentais:
Sei que muitos pensam que advogados são pedantes com seus jargões latinos. Mas a verdade é mais profunda: esses mottos são ferramentas estratégicas que definem como agimos em momentos importantes.
Quando estava desenvolvendo o ProcStudio - uma ferramenta para gerenciamento de escritórios de advocacia e geração de documentos - me deparei com um dilema ético complexo relacionado à LGPD:
De um lado: Meu cliente direto, o advogado usuário do sistema, que precisa de máxima flexibilidade e customização.
Do outro: Os clientes finais do advogado, cujos dados precisam ser protegidos rigorosamente.
O que fazer quando um advogado quer configurar o sistema para armazenar informações indefinidamente? Como equilibrar a liberdade do usuário com a proteção dos dados de terceiros?
Foi aí que criei um novo motto para o desenvolvimento do ProcStudio:
O sistema em geral precisa ser confiável aos clientes finais, mesmo que o advogado entenda diferente.
Esta decisão significou que a proteção de dados seria um norte inegociável do sistema, independente das preferências individuais dos advogados usuários. Sim, o sistema ficaria um pouco mais “engessado”, mas garantiria:
O motto proposto pelo programador - proteger usuário, dados e verdade - ressoa perfeitamente com minha experiência dupla. Na advocacia, protegemos clientes, informações processuais e a justiça. Na programação, protegemos usuários, dados e integridade.
Ambas as profissões lidam com poder e grande responsabilidade:
O que aprendi transitando entre estas duas carreiras é que mottos não são decorativos - são funcionais. Eles bem definidos:
Seja você advogado, programador, ou qualquer outra profissão, considere definir seus próprios mottos. Não precisam ser em latim (embora admito que adiciona um charme especial). Precisam apenas ser:
No fim, como o programador do texto original descobriu, criar um motto é criar uma declaração de intenções. É dizer ao mundo - e mais importante, a si mesmo - quais são os princípios inegociáveis que guiam seu trabalho.
Sua vez: Quais princípios guiam sua prática jurídica na era digital? Como você equilibra inovação tecnológica com as tradições e responsabilidades da advocacia? Compartilhe comigo comentários.
P.S.: Assim como o autor original, também não sou fluente em latim. Mas isso não diminui o poder dessas palavras antigas em guiar nossas decisões modernas.